Mães Más

Seguidamente durante a gravidez e ainda hoje, quase que diariamente, me pergunto que tipo de mãe serei para meus moleques. Permissiva? Repressora? Linha dura? Light? Liberal? E mais, que tipo de filhos serei capaz de criar. Como se houvesse resposta para tais questionamentos.

A verdade – se é que ela existe – é que tanto mãe como filhos estão sendo construídos no dia-a-dia. Percebo o comportamento dos meus filhos como um reflexo dos meus atos. Percebo os atos deles como norteadores do meu comportamento. E assim vamos nos moldando, procurando sempre o equilíbrio na nossa relação, respeitando as diferenças dos pequenos e seus tempos de resposta. E acho que estamos indo muito bem. Nos (re) conhecendo a cada instante e construíndo a resposta que virá só com o tempo: que tipo de mãe serei? que tipo de filho estou criando?

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Outro dia, ainda durante a gravidez, recebi um texto sobre mães más, que divido com vocês. O texto, além de retratar a realidade nos ajuda a aliviar as culpas inerentes ao nosso papel de mãe, pai, educador. Boa leitura!

POR: Carlos Hecktheuer – Médico psiquiatra. Fonte: Zero Hora

Muitas são as dúvidas dos pais em relação à forma de educar seus filhos. Limites, permissões, diálogos e punições têm sido temas de discussão nas famílias e no ambiente escolar. Sabe-se, contudo, que o adulto de referência tem papel central no desenvolvimento psicossocial da criança e do adolescente. Nesta perspectiva, reproduziremos abaixo um texto gentilmente enviado pela srª. Eunice Pires, mãe da aluna Ananda Pires, da 8ª série da Unidade Higienópolis, que propõe uma reflexão sobre a ‘mãe má’.

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou as revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono:”Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar”.

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para os deixar ver, além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lagrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso ( e em momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… Porque no final vocês venceram também!

E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhe dizer:
“Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo…”

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.

As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. E ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.

Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e “fuçava” nos nossos e-mails). Era quase uma prisão.

Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela “violava as leis do trabalho infantil”.

Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruel.

Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.

Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler nossos pensamentos.

A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos, tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar tarde à noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa ( só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência:

Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

Foi tudo por causa dela.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “pais maus”, como minha mãe foi.

Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes mães más.

Última atualização: Segunda Feira, 21 Julho 2008, 10:05

Que Papai do Céu permita que eu possa ser “Mãe Má” para meus Moleques!!!!

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Uma resposta to “Mães Más”

  1. Eliana Says:

    Obrigada por dividir o texto conosco e ajudar a diminuir nossa eterna culpa de mãe. Parabéns pelos moleques. São lindos! Beijo, Eliana

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