“ – Posso dizer tudo?
- Pode.
- Você compreenderia?
- Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e – por ser um campo virgem – está livre de pré-conceitos. Tudo o que não sei é minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.”
Clarice Lispector, O Diálogo do desconhecido. In, A descoberta do mundo.
Este trecho, retirado do livro A descoberta do mundo, de Clarice Lispector, me fez pensar na minha relação com a maternidade, com a criação de filhos, com o desafio de ter, não um, mas três bebês sob minha responsabilidade e sem ninguém para orientar.
E fiquei pensando nas coisas que eu já ouvi desde que anunciei a tripla gravidez. Dentre elas, destaco:
“– Como você consegue dar conta de três? Eu não seria capaz!”
“– Você não tem noção do que é criar um filho!”
“– Você tem certeza do que está fazendo?”
“– Você tem certeza de que o que está fazendo é o mais adequado?
E como não sei as respostas, rogo ao Bom Velhinho lá de cima que me mantenha sem noção, pois só assim serei capaz de continuar a alçar vôos até então nunca sonhados. E aprender! Aprender sempre e a cada instante as lições que a vida e, principalmente meus pequenos tem para me passar.
Obrigada meus filhos pelos ensinamentos diários. Sei que tenho muito a lhes ensinar, mas também sei que tenho muito mais a aprender com vocês.
Agora, dá só uma olhada: está ou não está dando certo?
Amo cada pedacinho de vocês.




